sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Todas as Provas Camel Trophy

Year Place Vehicle #teams Nations

1980 Transamazonica Jeep, P 3 1
1981 Sumatra Range Rover, 2 door, P 5 1
1982 Papua New Guinea Range Rover, 2 door, P 8 4
1983 Zaire Series III 88 14 7
1984 Brazil Land Rover 110 12 6
1985 Borneo Land Rover 90 16 8
1986 Australia Land Rover 90 14 14
1987 Madagascar Range Rover TD 14 14
1988 Sulawesi Land Rover 110 12 12
1989 The Amazon Land Rover 110 14 14
1990 Siberia-USSR Discovery Tdi 3-door 16 16
1991 Tanzania-Burundi Discovery Tdi 5-door 17 17
1992 Guyana Discovery Tdi 5-door 16 16
1993 Sabah-Malaysia Discovery Tdi 5-door 16 16
1994 Arg-Parag-Chile Discovery Tdi 5-door 18 18
1995 Mundo Maya Discovery Tdi 5-door 20 20
1996 Borneo Discovery Tdi 5-door 20 22
1997 Mongolia

1980 Transamazonica 
Route: Belem to Santarem 
Distance: 1,600 km 
Teams: 3 from West Germany
Winner: West Germany (Klaus Karthna-Dircks & Uwe Machel

1981 Sumatra 
Route: Medan to Jambi 
Distance: 1,600 km 
Teams: 3 from West German
Winner: West Germany (Christian Swoboda & Knuth Mentel

1982 Papua New Guinea 
Route: Mont Hagen to Madang 
Distace: 1,600 km 
Teams: 2 each from: Italy, the Netherlands, West Germany and United States
Winner: Italy (Casare Geruado & Giuliano Giongo
Note: Special Tasks introduced 
1983 Zaire 
Route: Kinshasa to Kinsangani 
Distance: 1,600 km 
Teams: the Netherlands, Portugal, Hong Kong, Germany, Switzerland, Italy, Spain 
Winner: the Netherlands (Henk Bont & Frank Heij)

1984 Brazil

Route: Transamazonica Highway, Santarem to Manaus 
Teams: 2 each from: Belgium, Italy, the Netherlands, Spain, Switzerland & West Germany
Winner: Italy (Maurizio Lavi & Alfredo Redaelli)

1985 Borneo

Route: Samarinda to Balikpapan
Teams: 2 each from: Brazil, West Germany, Japan, Switzerland, Belgium, the Netherlands, Spain, Italy, Canary Islands
Winner: West Germany I (Heinz Kallin & Bernd Strohdach)
Team Spirit Award: (1st year) Brazil II (Tito Rosenberg & Carlos Probst)

1986 Australia

Route: Cooktown to Darwin
Distance: 3,218 km
Teams: France, Italy, Canary Islands, Switzerland, Holland, Japan,Australia, USA, UK, Spain, Germany, Brazil, Malaysia, Belgium
Winner: France (Jacques Mambre, Michel Courvallet)
Team Spirit Award: Australia (Glenn Jones & Ron Begg)

1987 Madagascar

Route: Diego Suarez to Fort Dauphin 
Distance: 2,252 km
Teams: Italy, USA, Holland, Spain, Malaysia, Germany, Brazil, Japan, UK, Switzerland, Belgium, Canary Islands, France, Turkey
Winner: Italy (Mauro Miele & Vincenzo Tota)
Team Spirit Award: Spain (Jaime Puig & Victor Muntan)

1988 Sulawesi

Route: Manado to Ujang Padang
Distance: 2,092 km
Teams: Turkey, Belgium, Holland, Italy, Canary Islands, Japan, Switzerland, UK, Spain, France, Germany, Argentina 
Winner: Turkey (Galip Gurel, Ali Deveci)
Team Spirit Award: UK (Jim Benson & Marc Day)
Note: Two distinct series of Special Tasks introduced

1989 The Amazon

Route: Alta Floresta to Manaus
Teams: UK, Brazil, Spain, Turkey, Germany, Italy, Holland, France, Japan, Argentina, Canary Islands, Belgium, Yugoslavia, Switzerland 
Winner: UK (Bob Ives & Joe Ives)
Team Spirit Award: Belgium (Frank Dewitte & Peter Denys)

1990 Siberia, USSR

Route: Bratsk to Irkutsk
Distance: 1500km
Vehicles: 19 Discoveries, 4 Defender 110 Station Wagons, 5 Defender 127s
(3 4-door crewcabs and 2 2-doors--all had a solid,enclosed load bed
Teams: the Netherlands, Germany, UK, Spain, Italy, Yugoslavia, Austria, France, Switzerland, Greece, USA, Turkey, Canary Islands, Belgium, Soviet
Union, Japan
Winner: The Netherlands (Rob Kamps & Stijn Luyx)
2nd: West Germany, 3rd: UK
Team Spirit Award: Canary Islands (Carlos Barreto & Fernando Martin)

1991 Tanzania-Burundi

Route: Dar es Salaam, Tanzania to Bujumbura, Burundi 
Distance: 1,600 km
Teams: Turkey, Switzerland, Belgium, Greece, UK, USA, Italy, Canary Islands, Austria, France, Yugoslavia, Spain, Poland, Germany, Soviet Union, the
Netherlands, Japan 
Winner: Turkey (Menderes Utku & Bulent Ozler)
Team Spirit Award: Turkey (Menderes Utku & Bulent Ozler)
Special Tasks Award (introduced): Austria (Joseph Altmann & Peter Widhalm)

1992 Guyana

Route: Manaus, Brazil to Georgetown, Guyana
Distance: 1,600 km
Teams: Switzerland, USA, France, Austria, UK, Greece, Italy, Germany, Japan, Belgium, Commonwealth of Independent States, Poland, Canary Islands,
Spain, Turkey, the Netherlands 
Winner: Switzerland (Alwin Arnold & Urs Bruggisser)
Team Spirit Award: United States (Dan Amon & Jim West)
Special Tasks Award: France (Eric Cassaigne & Patrick Lafabrie)

1993 Sabah-Malaysia

Route: Circumnavigation, Kota Kinabalu to Kota Kinabalu 
Distance: 1,500 km
Teams: United States, France, Austria, Switzerland, Belgium, Germany, Spain, Greece, the Netherlands, Canary Islands, Italy, Turkey, Poland, Russia,
Malaysia, Japan 
Winner: United States (Tim Hensley & Michael Hussey)
Team Spirit Award: Canary Islands (Ellis Martin & Francisco Zarate)
Special Tasks Award: France (Paul Gasser & Loup Tournand)

1994 Argintina-Paragua-Chile

Route: Iguazu Falls, Argentina to Hornitos, Chile
Distance: 2,590 km
Teams: South Africa, UK, Spain, Canary Islands, Greece, Russia, Italy, Germany, Switzerland, Scandinavia, Poland, France, the Netherlands, United States,
Japan, Turkey, Hungary, Belgium 
Winner: Spain (Jorge Corella & Carlos Martinez)
Team Spirit: South Africa (Etienne van Eeden & Klaus Hass), 2nd UK
2nd UK ( Damian Taft & Mark Cullum)
Special Tasks: 1st Spain (Carlos Martinez & Jorge Corella)
2nd Switzerland

1995 Mundo Maya

Route: Lamanai, Belize through Mexico, Guatemala, El Salvador, Honduras to Xunantunich, Belize
Distance: 1,700 km
Teams: Czech Republic, United States, South Africa, France, Russia, Italy, Spain, Greece, Poland, Belgium, Canary Islands, UK, Germany, Israel, Hungary,
Japan, Holland, Switzerland, Turkey, Scandinavia 
Winner: Czech (Zdenek Nemec & Marek Rocajdl)
Team Spirit Award: Russia (Pavel Bogomolov & Sergei Fenev)
Special Tasks Award: Czech Republic (Zdenek Nemec & Marek Rocejdl)

1996 Kalimantan (Borneo)

Route: Balikpapan to Pontianak
Distance: 1850 km
Teams: Germany, South Africa, Belgium, UK, Italy, Greece, United States, Japan, France, Morocco, Turkey, Switzerland, Russia, Denmark/Norway,
Finland/Sweden, Poland, Canary Islands, Spain, Czech Republic, the Netherlands
Winner: Greece (Miltos Farmakis & Nikos Sotirchos)
2nd: United States (Ken Cameron & Fred Hoess)
3rd: France
Team Spirit Award: South Africa (Samuel de Beer & Pieter du Plessis)
Special Tasks Award: Russia (Dmitriy Surin & Alexei Svirkov)
2nd: Greece (Miltos Farmakis & Nikos Sotirchos)
3rd: France
Land Rover Award: Greece (Miltos Farmakis & Nikos Sotirchos)


 

Os Range Rover Camel Trophy Portugueses

RANGE ROVER CT82 - ANTÓNIO SERÔDIO
Escrito por Camel Trophy Portugal
  
Este Range Rover V8 de 1978 foi comprado em França, por António Serôdio. De volta a Portugal, foi vendido e, 6 anos depois, novamente adquirido pelo actual proprietário, que o restaurou completamente e decidiu torná-lo numa réplica Camel Trophy.

António Serôdio vivia em França e este foi o primeiro Range Rover que comprou. Foi seu durante 14 anos e serviu, inclusivamente, para a sua mulher aprender a conduzir, antes de tirar a carta.

Em 1998, voltou para Portugal, trazendo o Range Rover consigo. Foi legalizado, e pouco depois vendido a um amigo de António Serôdio.

Mas 6 anos mais tarde, o Range Rover voltou para a posse do proprietário inicial, quando o seu amigo decidiu vender a viatura.

O Range Rover, fazendo parte da vida de António Serôdio, foi totalmente restaurado por este, que lhe devolveu todos os pormenores originais. Mas isso não foi suficiente e impunha-se a execução de um projecto mais arrojado. Solução: torná-lo uma réplica Camel Trophy!

Os Range Rover V8 foram utilizados em 2 provas: Sumatra (1981) e Papua Nova Guiné (1982). Uma vez que, nessa altura, não se sabia ao certo de que anos eram as viaturas utilizadas, o facto do seu Range Rover ser de 1978 não seria impeditivo.

Após vários contactos e muitas horas de pesquisa na Internet, para reunir o máximo de informação possível sobre a preparação destes modelos para o Camel Trophy, António Serôdio lançou-se ao trabalho, que resultou nesta réplica. Um dos pormenores que deu mais trabalho a efectuar foi a grade de tejadilho, devido às medidas diferentes do tejadilho do Range Rover.

Dados do veículo:

- Range Rover V8, de 1978
- Motor 3.5lts, de carburadores
- Caixa de 4 velocidades (derivada das caixas de velocidades, modificadas, dos Séries III)
- Bloqueio eléctrico
 
 

Range Rover Camel Trophy 1982 

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1981 Sumatra

1981 - SUMATRA
Escrito por Camel Trophy Portugal
  
Depois do sucesso do primeiro Camel Trophy, foram bastantes as inscrições para esta segunda edição. A nacionalidade dos participantes manteve-se, continuando a ser, apenas, Alemães a participar. No entanto, devido ao elevado interesse demonstrado pelo público, as equipas aumentaram para 5, mantendo-se 2 elementos por equipa. Outras novidades foram a participação de uma equipa exclusivamente feminina e a utilização, pela primeira vez, de veículos Land Rover, dando assim os primeiros passos em direcção a uma parceria que iria durar quase 2 décadas.

A rota escolhida levaria o Camel Trophy à ilha Indonésia de Sumatra, devendo partir de Medan, a Norte, até chegar a Jambi, no Sul, totalizando 1600km. Pelo caminho, iriam atravessar o Equador. 
Mapa do percurso
Mapa do percurso


Para enfrentar as dificuldades do terreno e da floresta equatorial, a organização escolheu o Range Rover como viatura a utilizar, tanto pelos participantes como pelas equipas de apoio.

Apesar de disporem de veículos robustos e fiáveis para os ajudar a ultrapassar os obstáculos encontrados pelo caminho, foram apresentados aos participantes outros problemas e dificuldades, nomeadamente a mudança radical do clima, provocada pelos diferentes tipos de terreno atravessado. Tendo começado a viagem nas, relativamente, frescas montanhas vulcânicas do Norte, a comitiva iria depois seguir em direcção aos pântanos equatoriais do Sul. As diferenças de humidade e temperatura eram tão extremas, que esgotaram a energia e força dos participantes.

No dia 9 de Abril, em Berastegui, deu-se início à edição de 1981. Apenas duas horas depois da partida, era encontrada a primeira dificuldade: em Kabanhaje houve um “contratempo burocrático”, devido ao facto do comandante da região desconhecer os objectivos do grupo. Ficaram, assim, retidos e coube a Andreas Bender (líder da expedição) e a David (o tradutor, apelidado de King Kong) negociarem durante 4 horas em casa do comandante, mas sem sucesso.

Os soldados cercam a caravana e não deixam ninguém sair. Só à tarde, e depois de uma “explicação financeira”, são autorizados a seguir viagem. Esta situação permitiu aos participantes aprendem uma importante lição: quanto mais dinheiro se entrega, menos tempo se perde!
 
Era necessário recuperar o tempo perdido. Enquanto percorrem um caminho não utilizado há mais de 20 anos, os buracos de meio metro de profundidade sucedem-se, castigando ao máximo os eixos e suspensões dos Range Rover.

Um dos cruzamentos de margem
Um dos cruzamentos de margem
Às duas da manhã chegam ao seu primeiro destino. Apesar de exaustos, recusam comer carne de cão e descobrem que as suas camas são as próprias mesas onde lhes seria servida a comida.

O segundo dia foi iniciado com optimismo e 20km de pista boa. Mas isso iria terminar, quando de repente a pista acaba e são obrigados a voltar para trás. No ano anterior, Andreas Bender e David tinham feito esse mesmo caminho, impossível, agora, de prosseguir. Seguem por uma alternativa, cheia de plantas carnívoras. A equipa feminina atasca num buraco de lama, e demoram 1 hora para saírem daquela situação, mesmo com a ajuda dos restantes participantes. Finalmente, voltam a percorrer a pista, mas esta encontra-se muito escorregadia.

No dia seguinte têm de cruzar um rio, percorrendo 500 metros contra a corrente. Apesar das dificuldades, todos conseguem atravessar para a margem oposta, onde os caminhos são melhores. No entanto, têm de ter cuidado com os viajantes que encontram pelo caminho. Ao ultrapassar um ciclista, a viatura do médico despista-se, ficando com uma das rodas sobre um precipício de 15 metros. Dava-se início a mais uma operação de resgate em conjunto.
 
Durante o caminho, é necessário atravessar muitas pontes. Mas muitas delas precisavam de ser reparadas previamente, demorando-se muito tempo a tentar atravessar em segurança todos os veículos, apoiados apenas pelos faróis dos Range Rover e por lanternas. As paragens demoradas provocam stress e nervos entre os participantes e as luzes utilizadas atraem toda a espécie de bichos e mosquitos.
 
A organização escolheu diversas pontes destruídas para executar as provas especiais, superadas por todas as equipas com uma enorme frieza, já que o mínimo erro faria com que a sua viatura caísse ao rio. Entre outras provas de difícil execução, foi necessário atravessar uma grande extensão de lama, onde serviu de pouco a óptima capacidade todo-o-terreno das viaturas. A lama chegava à altura dos vidros e era necessário recorrer aos guinchos para sair daquela situação. 
A lama, sempre presente
A lama, sempre presente


Numa das jornadas, foi necessário subir uma rampa para o ferry. Situação duplamente árdua, já que a rampa está coberta de lama e o ferry é apenas um conjunto de troncos atados entre si, com um motor numa ponta. A recompensa por um trabalho bem executado é a paisagem oferecida aos participantes, da qual fazem parte as cores dos campos de cultivo e o pôr-do-sol.

Noutra noite, tiveram de enfrentar um dilúvio, que fez subir 1 metro a água do rio, em apenas 15 minutos. Além disso, o ferry que os transportaria para a outra margem não funcionava.

Ao procurar caminhos alternativos, encontram uma ponte, que não devia ser utilizada por veículos há 25 anos. Para a atravessarem, têm de colocar troncos para impedir que as viaturas caiam. Toda esta operação demorou bastante tempo e foi executada com um calor sufocante. Durante as jornadas seguintes, devido ao calor intenso, os participantes são confrontados com a opção de manter os vidros fechados e (tentar) aguentar a temperatura no interior das viaturas, ou abrir os vidros e deixar entrar os mosquitos que os irão atacar.

Durante o caminho, encontram um camião e um autocarro, atascados no meio do caminho. Tiveram de convencer os passageiros a abandonar o autocarro, para tornar a recuperação mais fácil, mas eles não estavam muito cooperantes, com medo de perderem o seu lugar. Depois de os conseguirem convencer, foram necessários 3 Range Rover para libertar as viaturas.

Os participantes cruzam o Equador e alguns deles recebem o ritual de baptismo. O caminho torna-se mais fácil e, finalmente, chegam ao final da viagem.

Apesar das dificuldades e contratempos, a expedição voltou a ser um sucesso, o que leva os organizadores a pensarem na hipótese de aceitarem inscrições de outros países.


Resumo da edição
Veículos dos participantes: Range Rover V8 a gasolina (3 portas)

Veículos de apoio: Range Rover V8 a gasolina (3 portas)

Distância percorrida: 1600km em estrada

Equipas:
Alemanha - Christian Swoboda / Knuth Mentel (vencedores)
Alemanha - Norbert Sudmann / Focke Hofmann
Alemanha - Hans Horst Fischer / Wolfgang Bays
Alemanha - Klaus J Beye / Hartwig Thees
Alemanha - Karin Stoppa / Anneliese Valldorf

1982 Papua Nova Guiné

1982 - PAPUA NEW GUINEA
Escrito por Camel Trophy Portugal
  
Para a terceira edição do Camel Trophy, muitos países já tinham demonstrado o seu interesse em participar. Foi o ano da sua verdadeira internacionalização, com a participação da Holanda, Alemanha, Itália e Estados Unidos da América, tendo cada país duas equipas de dois elementos.

Mapa do percurso 
 
Desta vez, seriam levados para Papua Nova Guiné, localizada a Norte da Austrália, na metade Oriental da ilha da Nova Guiné. Com uma população de 3,5 milhões de habitantes, organizados em cerca de 700 tribos diferentes e distribuídos por 462 mil km2, apresentava a localização ideal para um Camel Trophy: vasto, baixa densidade populacional, remoto, exótico, desafiante e duro.

Range Rover V8
Range Rover V8
Para aproveitar a participação de equipas internacionais e o aumento do número de elementos, foi decidido introduzir uma maior competitividade ao evento. Foram, assim, criadas as “Tarefas Especiais” (“Special Tasks”, no original), embora ainda bastante limitadas.

Depois da excelente prestação dos Range Rover V8 a gasolina, no evento anterior, foi decidido voltar a utilizar os mesmos modelos, sendo formada uma parceria oficial com a Land Rover, para fornecimento de veículos para as seguintes edições.

As oito equipas percorreram uma perigosa rota ao longo dos trilhos coloniais, desde o acampamento mineiro de Mount Hagen até Madang, na costa Oeste. As equipas foram testadas dia e noite pelas condições extremas do clima e do terreno. O seu progresso foi sendo sempre impedido pelo desaparecimento de caminhos, causado pelos deslizamentos de lama, raivosos rápidos, difíceis cruzamentos de margem e cheias localizadas. Muitas noites foram passadas a construir pontes e a reparar estradas, durante esta exigente expedição.

Ao longo do seu percurso, a caravana do Camel Trophy teve a oportunidade de se cruzar com as diversas tribos locais. Algumas delas mantinham condições de vida semelhantes às dos povos do período Neolítico, o que permitia que fossem considerados autênticos “primitivos actuais”.Image
 
Uma característica comum a todas estas tribos era o facto de manterem um contacto escasso com etnias diferentes. De um modo geral, ignoravam o uso dos metais e o vestuário dos homens reduzia-se a uma funda peniana. Em contraste, possuíam uma elevada intuição e uma amabilidade espantosa com todos aqueles que os visitavam. Contactar com estas tribos era uma experiência impossível de esquecer e era uma verdadeira viagem à pré-história.

Especialmente impressionante para os participantes do Camel Trophy, foi a convivência com os habitantes do vale de Asaro, os chamados “Homens Lama”, que, durante a celebração das suas festas, cobrem todo o seu corpo de lama e utilizam máscaras cuidadosamente preparadas, enquanto efectuam danças rituais. Segundo a lenda, a sua tribo tinha sido vencida por uma tribo rival e foram forçados a abandonar a aldeia e ir para o rio Asaro. Esperaram até ao anoitecer antes de tentarem fugir e, quando subiram a margem lamacenta do rio, o inimigo viu-os cobertos de lama e pensou que eram espíritos. Como a maioria das tribos de Papua Nova Guiné receia bastante os espíritos, a tribo inimiga fugiu e os “Homens Lama” recuperaram a aldeia. Eles pretendiam, apenas, ir à aldeia para ver o que se tinha passado, sem saberem que a tribo inimiga ainda se encontrava no local.

Caravana Camel Trophy
Caravana Camel Trophy
Uma curiosidade: na aldeia dos “Homens Lama”, havia uns panfletos redigidos em inglês perfeito, com as seguintes indicações:
simulacro de ataque: 100 kina
simulacro de ataque com fotos: 150 kina
cada 5 minutos adicionais: 10 kina

espera-se que o público compre lembranças para manter o sustento cultural desta tribo
Outras curiosidades, que se destacam, nesta edição:

  • perto de Mendi, um Papuano bêbado, vestido com fato e gravata, quase chocava com o veículo que seguia na frente da fila de viaturas Camel Trophy. O carro do Papuano saíu da estrada e ele tentou enfrentar os dois Alemães que seguiam na frente;

  • certa noite, num bar, um abastado habitante local ofereceu 50 mil marcos por cada Range Rover. Obviamente, não foram vendidos;

  • ao passarem pela colónia alemã no meio da Nova Guiné, ouviram pelo rádio que a estrada estava bloqueada por guerreiros. Foi decidido seguir por outro caminho. Mais tarde, também pelo rádio, ouviram que os ditos guerreiros pensavam que a caravana Camel Trophy era de caçadores de monstros e que queriam caçar o monstro que vivia no lago Kopiano, com torpedos. Os “torpedos” eram as botijas de gás propano, que a caravana usava para cozinhar;

  • no lago Kopiano foi onde viram as aves do Paraíso. Também viram escaravelhos do tamanho de bolas de ténis. Nesta zona, que era o foco principal de malária do país, era necessário dormir com redes mosquiteiras.

Os vencedores da primeira edição internacional do Camel Trophy foram os Italianos Cesare Geraudo e Giuliano Giongo, que mostraram estar melhor preparados para superar as provas de orientação nocturna, modalidade da competição que desempenhou um papel decisivo na atribuição do troféu. Nesta edição ainda não era atribuído um prémio independente para as “Special Tasks”.


Resumo da edição
Veículos dos participantes: Range Rover V8 a gasolina (3 portas)

Veículos de apoio: Range Rover V8 a gasolina (3 portas)

Distância percorrida: 1050km em estrada

Equipas:
Alemanha 1 - Werner Weiglein / Peter Reinhold
Alemanha 2 - Franz Murr / Wolfgang Eggers
Holanda 1 - Hans Bronsgeest / Ernest van Arendonk
Holanda 2 - Willem de Bruyn / Hans Prudon
Itália 1 - Cesare Geraudo / Giuliaro Giongol (vencedores)
Itália 2 - Giorgio Landi / Lorenzo Loreti
E.U.A. 1 - Rob Comstock / Paul Haven
E.U.A. 2 - Bob Peters / Ken Arnold

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Madagascar 1987 Range Rover TD

1987 - MADAGASCAR
Escrito por Camel Trophy Portugal
  
Madagáscar foi o destino escolhido para a edição de 1987 do Camel Trophy. Localizada no Oceano Índico, ao largo da costa de Moçambique, possui uma grande variedade de condições de clima, terreno e paisagem, bem como de fauna e flora. Com um clima muito variado, húmido a nordeste (onde existem áreas de floresta tropical) e seco a sudoeste (chegando mesmo a haver deserto), foi mais um palco ideal para os desafios propostos aos participantes.

Mapa do percurso
Mapa do percurso
O veículo utilizado foi, novamente, o Range Rover. No entanto, o modelo escolhido, de 5 portas, era alimentado pelo novo motor 2.4 TD, fabricado pela italiana VM Motori.
 
A equipa estreante era, desta vez, oriunda da Turquia.

A partida foi dada a 26 de Março em Antsiranana, no Norte da ilha. Até 1975, esta cidade chamava-se Diégo-Suarez, em homenagem ao navegador e explorador Português do séc. XVI Diogo Soares, que visitou a ilha em 1543.

Um total de 21 veículos, 14 de participantes e 7 de equipas de apoio, iniciou a sua viagem de 18 dias e cerca de 2250km, que terminaria na ponta oposta da ilha, em Fort Dauphin, no Sul.

Pela primeira vez, os elementos da imprensa que cobriram o evento, puderam acompanhar os participantes nos seus veículos.

As jornadas iniciais decorreram sem grandes dificuldades, fazendo a caravana avançar rapidamente até ao interior do país, onde encontraram uma vegetação cada vez mais densa. A isto, juntaram-se as dificuldades acrescidas de caminhos destruídos pelas recentes chuvas e ataques constantes de mosquitos.

Três dias após a partida, a 29 de Março, a caravana chega a Antsohihy, onde se realiza a primeira Tarefa Especial. Esta consistia em percorrer uma distância de 80 metros de lama, em menos de 4 minutos. A equipa Britânica foi a vencedora.

Depois de 600km, começaram os verdadeiros obstáculos: buracos de lama com mais de 1 metro de profundidade, precipícios, caminhos fechados pela densa florestação, etc. A equipa Francesa partiu o diferencial e grade do tejadilho da equipa das Ilhas Canárias soltou-se num grande desnível e os bidões de água e gasóleo caíram na lama.

Já perto de Mandritsara foi realizada a segunda Tarefa Especial. Foi uma típica prova de orientação contra relógio, onde era necessário percorrer, durante a noite, uma distância de 40km. A equipa vencedora foi a dos Estados Unidos da América.

O dia seguinte foi acompanhado de novas chuvas, que destruíram caminhos e pontes, tendo as equipas de dedicar algum tempo à construção de pontes improvisadas com troncos. No entanto, nem sempre isso foi possível. Uma das travessias necessárias chegava aos 200 metros, tendo obrigado os participantes a procurar alternativas, para chegar a Andilamena. Nesta altura, a viatura da equipa médica sofreu um grave acidente, capotando.

Devido às dificuldades entradas e ao atraso acumulado, algumas provas especiais foram canceladas e outras alteradas.

A terceira Tarefa Especial era simples: efectuar a maior distância possível na lama, sem utilizar o guincho. Foi vencida pelos Alemães.

Range Rover TD
 
A pior Tarefa Especial, para os Range Rover, foi a subida de uma rampa, no menor tempo possível. Aqui, os diferenciais sofreram bastante, tendo 5 veículos partido, pelo menos uma vez, esta importante peça mecânica. O resultado foi a falta de peças de reposição. Mas, com maior ou menor dificuldade, todas as equipas conseguiram reparar as suas viaturas e puderam continuar em prova.

Outra Tarefa Especial consistia em retirar as viaturas de uma zona de lama, no menor tempo possível.

Perto de Manajary, foi necessário recorrer a umas balsas rudimentares, utilizadas pelos nativos, para atravessar um rio de grande caudal. Um a um, os 21 veículos foram passando, mas o atraso foi bastante grande, uma vez que a balsa demorava 45 minutos para efectuar a viagem de ida e volta. 
Passagem de zona de lama
Passagem de zona de lama


À medida que seguiam para Sul, a paisagem ia-se modificando, tornando-se cada vez mais desértica. O perigo passou a ser as afiadas pedras que encontravam pelo caminho, capazes de causar estragos nos pneus.

Ao passar o Cabo de Santa Maria, avistaram-se as praias de Fort Dauphin. No dia 12 de Abril, deu-se a conclusão oficial da prova, com a atribuição dos prémios aos vencedores, na capital do Madagáscar, Antananarivo (também conhecida pelo seu nome Francês Tananarive).

Os acontecimentos registados durante as Tarefas Especiais provaram que estas foram inadequadas e incorrectamente planeadas. Os danos provocados nos veículos (e participantes) e o facto de não possibilitarem um julgamento e avaliação correctos, levaram a que se assistisse a uma “rebelião” dos participantes, durante a última Tarefa Especial. Algumas equipas chegaram a recusar participar na prova. As provas eram decididas ao longo do percurso, não havendo planeamento, preparação ou definição clara das regras. Devido a estes incidentes, as provas seguintes foram planeadas, predefinidas e regulamentadas pelos organizadores do evento.


Resumo da edição
Veículos dos participantes: Range Rover TD (5 portas)

Veículos de apoio: Range Rover TD (5 portas)

Distância percorrida: 2252km em estrada

Equipas:
Alemanha - Franz Alt / Jurgen Kelber
Bélgica - Philippe Cousin / Frank de Dobbeleer
Brasil - Gilberto Castro / Paulo Bergamaschi
Espanha - Jaime Puig / Victor Muntane (Team Spirit Award)
E.U.A. - Don Floyd / Tom Collins
França - Jacques Lepold / Theirry Pacaud
Holanda - Fons van Oers / Gerrit Dammer
Ilhas Canárias - Manuel Almeida / Carlos Penco
Itália - Mauro Miele / Vincenzo Tota (vencedores)
Japão - Toru Takahashi / Toshiharu Urabe
Malásia - Halim Abdul Rahman / See Toh Ying Hee
Reino Unido - George Bee / Iain Chapman
Suíça - Jean-Pierre Falcy / Daniel Nicollier
Turquia - Metin Kap / Kazim Aya

Camel Trophy


















Quando se fala em Camel Trophy, chegam-nos à memória imagens de grupos de pessoas em locais distantes, a ajudarem-se mutuamente para ultrapassarem situações difíceis, que seriam vistas por muitos como praticamente impossíveis de ultrapassar.
Essas pessoas vinham de países diferentes, com culturas, línguas, hábitos e costumes também diferentes. Mas juntavam-se no mesmo local, para o mesmo objectivo.

Este objectivo, ao contrário de muitas outras competições e desportos (de grupo ou individuais) não era ser o primeiro, mas sim provar a si mesmo que se conseguiam vencer os desafios impostos durante o caminho, fossem eles físicos ou psicológicos. Só o facto de fazer parte de umas das várias equipas participantes, era já motivo de orgulho, visto que as provas de selecção eram bastante exigentes. A boa preparação física e, mais importante ainda, uma boa preparação psicológica, de cada participante seriam condições fundamentais para superar os obstáculos impostos pela organização dos vários eventos.

Cada evento foi realizado numa zona diferente do globo, aproveitando-se assim as características próprias de cada local e criando eventos melhores que os anteriores.

Mas a estreia do 
Camel Trophy foi muito diferente daquilo em que se tornou, nos anos seguintes. Tudo começou em 1980, com uma aventura de 6 Alemães, no Brasil. Apesar de ser já bastante exigente, para a época, não se compara aos requisitos logísticos e mediatismo das últimas edições. Estas contaram com a participação de 20 equipas (cada uma delas em representação de um país), de 2 elementos cada, a quem se juntavam diversos elementos da organização e membros da comunicação social, em viaturas de apoio.

É importante referir que os participantes de todos estes eventos eram amadores. Talvez precisamente por esta razão, o número de candidatos aumentasse de ano para ano. Abandonar a rotina do dia-a-dia por 3 semanas, para viver uma aventura sem paralelo, que marca inevitavelmente uma vida, é um apelo demasiado forte para ignorar. Cada país participante recebia as inscrições dos seus concorrentes nacionais, devendo escolher 4 elementos no final, após a realização de provas nacionais de selecção, que poderiam ter a duração de um dia a uma semana. Cada grupo de 4, em representação do seu país, iria depois participar nas provas de selecção finais, durante uma semana bastante exigente. Daqui, sairíam os 2 participantes oficiais de cada país.

Em cada evento realizado, houve sempre uma preocupação ecológica e social, por parte da organização para com as áreas e comunidades locais por onde a caravana do 
Camel Trophy passava. A grandiosidade do evento obrigava a vários meses de preparação, durante os quais eram analisados os possíveis impactos ambientais e identificadas as oportunidades de contribuição para o melhoramento das condições de vida das populações visitadas. Por estas razões, os governos locais e estatais cooperavam facilmente com a organização e incentivavam o seu regresso. Se assim não fosse, o Camel Trophy não teria, certamente, crescido tanto e não gozaria do estatuto que, merecidamente, atingiu.

Passagem de um troço de lama   O Camel Trophy obriga a trabalhar mesmo à noite

Alguns exemplos de contribuições prestadas às comunidades locais ou apoio a projectos científicos, são:

  • doação de um Land Rover 110 ao Zoo de San Diego, em 1989, para ser utilizado especificamente no projecto de pesquisa de elefantes, em África

  • concluída a edição do Camel Trophy 1990 (Sibéria/USSR), foram doados três veículos Land Rover ao Parque Nacional de Baikal, para monitorização ambiental. Além destes, outros dois Defender 110 foram atribuídos à Raleigh International (uma instituição de caridade Inglesa, dedicada ao desenvolvimento dos jovens), para utilização nos seus projectos comunitários e ambientais na Guiana e Austrália

  • ainda em 1990, o Camel Trophy participou na expedição “Pan South America”, uma viagem de Caracas ao Rio de Janeiro, com o objectivo de angariar fundos para ajudar os Índios Yanomami, do Brasil, uma tribo ameaçada pela doença

  • em 1991, um Land Rover Defender 110 foi doado ao Dr. Jan Van den Homburg e à sua equipa da Missão Católica-Romana, para a Diocese de Morogoro em Mikumi, permitindo-lhes um meio de transporte valioso para os seus programas de saúde

  • em resposta a um pedido de ajuda da Universidade de Southampton, em Inglaterra, e do seu patrono, Sua Alteza Real o Duque de Edimburgo, o Camel Trophytornou-se um grande patrocinador do Elfin Rainforest ’91, um estudo económico, físico e biológico da floresta tropical de Elfin e baixo Montane, no noroeste da Costa Rica

  • dois dos quatro camiões Bedford, de 4 toneladas, utilizados para o transporte da imprensa internacional durante o Camel Trophy 1992 (Guiana), foram doados a um projecto de cultura ecológica, na região Annai da Guiana. Os outros dois camiões foram entregues à guarda da Guyana Defense Force, para serem usados pela Raleigh International

  • pela primeira vez na história do Camel Trophy, os participantes construíram, em 1993, uma base permanente para as autoridades da Malásia e grupos de pesquisa ecológica. A estação científica, com dois andares, fica no coração da floresta tropical do Sabah

  • ainda durante o evento de 1993, o Governo do Sabah recebeu do Camel Trophy um Land Rover Discovery, para uso na Reserva Animal de Tabin, para auxílio ao controlo de roubo de elefantes

  • os participantes do Camel Trophy 1994 trabalharam juntamente com a Universidade Nacional de Salta, para construir um Centro de Pesquisa nos Andes Argentinos. Pensado para servir de base permanente a estudantes e cientistas, permite monitorizar o ecossistema desta significativa área. Os resultados desta pesquisa têm valor científico e médico para a Argentina, Chile, Bolívia e Peru. Um Land Rover Defender 110 Camel Trophy foi doado para facilitar o trabalho do Centro

  • durante o ano de 1994, o Camel Trophy tornou-se um grande patrocinador da expedição subaquática da Universidade de Oxford ao Sabah. O projecto pretendia estudar os recifes de corais no Parque Nacional Tengku Abdul Rahman e iria permitir verificar o estado dos recifes, para uma monitorização e preservação a longo prazo

  • no Camel Trophy 1995 (Mundo Maya), os participantes efectuaram uma pesquisa arqueológica numa antiga zona Maia, ainda não estudada. Com a ajuda de 20 equipas, os arqueólogos obtiveram mais resultados em 48 horas, do que alguma vez teriam conseguido em meses, ou mesmo anos

  • foram oferecidos Land Rover Discovery à organização “Programme for Belize”, ao Zoo do Belize e ao Instituto de Turismo da Guatemala (Inguat), com o objectivo de melhorar as suas condições de trabalho

  • em 1995, e pelo terceiro ano consecutivo, o Camel Trophy participou na construção de uma estação de pesquisa. Ficou localizada no Parque Nacional Montecristo, que se estende por parte das Honduras, Guatemala e El Salvador, a uma altura de 2,5KM acima do nível do mar