sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

1981 Sumatra

1981 - SUMATRA
Escrito por Camel Trophy Portugal
  
Depois do sucesso do primeiro Camel Trophy, foram bastantes as inscrições para esta segunda edição. A nacionalidade dos participantes manteve-se, continuando a ser, apenas, Alemães a participar. No entanto, devido ao elevado interesse demonstrado pelo público, as equipas aumentaram para 5, mantendo-se 2 elementos por equipa. Outras novidades foram a participação de uma equipa exclusivamente feminina e a utilização, pela primeira vez, de veículos Land Rover, dando assim os primeiros passos em direcção a uma parceria que iria durar quase 2 décadas.

A rota escolhida levaria o Camel Trophy à ilha Indonésia de Sumatra, devendo partir de Medan, a Norte, até chegar a Jambi, no Sul, totalizando 1600km. Pelo caminho, iriam atravessar o Equador. 
Mapa do percurso
Mapa do percurso


Para enfrentar as dificuldades do terreno e da floresta equatorial, a organização escolheu o Range Rover como viatura a utilizar, tanto pelos participantes como pelas equipas de apoio.

Apesar de disporem de veículos robustos e fiáveis para os ajudar a ultrapassar os obstáculos encontrados pelo caminho, foram apresentados aos participantes outros problemas e dificuldades, nomeadamente a mudança radical do clima, provocada pelos diferentes tipos de terreno atravessado. Tendo começado a viagem nas, relativamente, frescas montanhas vulcânicas do Norte, a comitiva iria depois seguir em direcção aos pântanos equatoriais do Sul. As diferenças de humidade e temperatura eram tão extremas, que esgotaram a energia e força dos participantes.

No dia 9 de Abril, em Berastegui, deu-se início à edição de 1981. Apenas duas horas depois da partida, era encontrada a primeira dificuldade: em Kabanhaje houve um “contratempo burocrático”, devido ao facto do comandante da região desconhecer os objectivos do grupo. Ficaram, assim, retidos e coube a Andreas Bender (líder da expedição) e a David (o tradutor, apelidado de King Kong) negociarem durante 4 horas em casa do comandante, mas sem sucesso.

Os soldados cercam a caravana e não deixam ninguém sair. Só à tarde, e depois de uma “explicação financeira”, são autorizados a seguir viagem. Esta situação permitiu aos participantes aprendem uma importante lição: quanto mais dinheiro se entrega, menos tempo se perde!
 
Era necessário recuperar o tempo perdido. Enquanto percorrem um caminho não utilizado há mais de 20 anos, os buracos de meio metro de profundidade sucedem-se, castigando ao máximo os eixos e suspensões dos Range Rover.

Um dos cruzamentos de margem
Um dos cruzamentos de margem
Às duas da manhã chegam ao seu primeiro destino. Apesar de exaustos, recusam comer carne de cão e descobrem que as suas camas são as próprias mesas onde lhes seria servida a comida.

O segundo dia foi iniciado com optimismo e 20km de pista boa. Mas isso iria terminar, quando de repente a pista acaba e são obrigados a voltar para trás. No ano anterior, Andreas Bender e David tinham feito esse mesmo caminho, impossível, agora, de prosseguir. Seguem por uma alternativa, cheia de plantas carnívoras. A equipa feminina atasca num buraco de lama, e demoram 1 hora para saírem daquela situação, mesmo com a ajuda dos restantes participantes. Finalmente, voltam a percorrer a pista, mas esta encontra-se muito escorregadia.

No dia seguinte têm de cruzar um rio, percorrendo 500 metros contra a corrente. Apesar das dificuldades, todos conseguem atravessar para a margem oposta, onde os caminhos são melhores. No entanto, têm de ter cuidado com os viajantes que encontram pelo caminho. Ao ultrapassar um ciclista, a viatura do médico despista-se, ficando com uma das rodas sobre um precipício de 15 metros. Dava-se início a mais uma operação de resgate em conjunto.
 
Durante o caminho, é necessário atravessar muitas pontes. Mas muitas delas precisavam de ser reparadas previamente, demorando-se muito tempo a tentar atravessar em segurança todos os veículos, apoiados apenas pelos faróis dos Range Rover e por lanternas. As paragens demoradas provocam stress e nervos entre os participantes e as luzes utilizadas atraem toda a espécie de bichos e mosquitos.
 
A organização escolheu diversas pontes destruídas para executar as provas especiais, superadas por todas as equipas com uma enorme frieza, já que o mínimo erro faria com que a sua viatura caísse ao rio. Entre outras provas de difícil execução, foi necessário atravessar uma grande extensão de lama, onde serviu de pouco a óptima capacidade todo-o-terreno das viaturas. A lama chegava à altura dos vidros e era necessário recorrer aos guinchos para sair daquela situação. 
A lama, sempre presente
A lama, sempre presente


Numa das jornadas, foi necessário subir uma rampa para o ferry. Situação duplamente árdua, já que a rampa está coberta de lama e o ferry é apenas um conjunto de troncos atados entre si, com um motor numa ponta. A recompensa por um trabalho bem executado é a paisagem oferecida aos participantes, da qual fazem parte as cores dos campos de cultivo e o pôr-do-sol.

Noutra noite, tiveram de enfrentar um dilúvio, que fez subir 1 metro a água do rio, em apenas 15 minutos. Além disso, o ferry que os transportaria para a outra margem não funcionava.

Ao procurar caminhos alternativos, encontram uma ponte, que não devia ser utilizada por veículos há 25 anos. Para a atravessarem, têm de colocar troncos para impedir que as viaturas caiam. Toda esta operação demorou bastante tempo e foi executada com um calor sufocante. Durante as jornadas seguintes, devido ao calor intenso, os participantes são confrontados com a opção de manter os vidros fechados e (tentar) aguentar a temperatura no interior das viaturas, ou abrir os vidros e deixar entrar os mosquitos que os irão atacar.

Durante o caminho, encontram um camião e um autocarro, atascados no meio do caminho. Tiveram de convencer os passageiros a abandonar o autocarro, para tornar a recuperação mais fácil, mas eles não estavam muito cooperantes, com medo de perderem o seu lugar. Depois de os conseguirem convencer, foram necessários 3 Range Rover para libertar as viaturas.

Os participantes cruzam o Equador e alguns deles recebem o ritual de baptismo. O caminho torna-se mais fácil e, finalmente, chegam ao final da viagem.

Apesar das dificuldades e contratempos, a expedição voltou a ser um sucesso, o que leva os organizadores a pensarem na hipótese de aceitarem inscrições de outros países.


Resumo da edição
Veículos dos participantes: Range Rover V8 a gasolina (3 portas)

Veículos de apoio: Range Rover V8 a gasolina (3 portas)

Distância percorrida: 1600km em estrada

Equipas:
Alemanha - Christian Swoboda / Knuth Mentel (vencedores)
Alemanha - Norbert Sudmann / Focke Hofmann
Alemanha - Hans Horst Fischer / Wolfgang Bays
Alemanha - Klaus J Beye / Hartwig Thees
Alemanha - Karin Stoppa / Anneliese Valldorf

Nenhum comentário:

Postar um comentário